O que você quer ser quando crescer?
- Jogador de Futebol, jogar no meu time do coração, Barcelona, Milan, Real Madrid.
Essa conversa, e principalmente, essa resposta, são tipicos do nosso país, onde o sonho de ser jogador de futebol é, definitivamente, o mais comum. Garotos de todas as classes sociais, raças, localidades, crenças; compartilham esse vislumbre de futuro. Glória, fama, dinheiro, reconhecimento, mulheres, carros; tudo isso gira dentro do sonho, nesse giro, tira muitos jogadores da roda.
Não parece para alguns, mas, o nível do futebol no Brasil, principalmente nos grandes centros, é incrivelmente alto. Isso é perceptivel quando observa-se um jogador profissional atuando fora dos gramados da elite, em peladas, jogos na praia, entre outros. Observando Junior, o maior lateral esquerdo da história do Brasil, jogar, quer dizer, fazer a bola correr, na praia, mesmo com toda sua idade, é coisa de outro planeta. Não pense que é só Junior, que foi um craque. Já vi Rodrigo Souto jogar um final na praia, vestindo a camisa 10 do América do Lido, e, mesmo que lhes pareça chocante, ele acabou com o jogo. Nem preciso citar alguns outros bons exemplos, a ídeia é a mais válida, afinal, todos nós já olhamos para algum jogador e afirmamos que somos melhores do que eles, que poderiamos estar lá; sim, em alguns casos realmente poderiamos, mas, normalmente, não temos noção da dificuldade que é, do alto nivel que está presente.
Muitos, inclusive eu, já tiveram oportunidade de jogar fora do país, aspirando alguma possibilidade ou por puro lazer. E, na maioria absoluta do casos, o brasileiro se sobresaiu incrivelmente na parte tecnica em relação a qualquer outro jogador de qualquer pais, tenho amigos hoje jogando nos estados unidos, onde são idolotrados, titulares absolutos. As pessoas costumam criticar os jogadores profissionais que vão para esses menores centros do leste europeu, como Ucrania, Russia, entre outros; entretanto, esses jogadores tem noção da dificuldade que é ser titular de uma grande equipe no Brasil, da competição acirrada por uma vaga, além disso, sabem das suas limitações e sabem reconhecer o mérito de outro jogador, por isso buscam, além da estabilidade financeira, a oportunidade de estar jogando profissionalmente, e, inclusive, aparecendo para o futebol, uma vez que seu futebol sobresai com jogadores mais fracos.
Não é fácil, e, infelizmente, deve-se abrir mão de inumeras coisas, como uma boa educação, a familia, amigos e toda sua juventude por esse sonho que não é certo, nem de longe, de se concretizar. Corretamente, muitos clubes mantem, em suas divisões de base, estruturas como colégios, alojamentos, acompanhamento psicologico e outras vantagens em relação a clubes de menor investimento, deste modo, não se joga tempo no lixo de nenhum atleta, mesmo que não vingue como jogador profissional, o cidadão terá um nível mínimo de estudo, o que o possibilita outra aspirações na vida.
Vi alguns amigos e conhecidos que não sei como não viraram profissionais. Nas areias, quem vê Mauricinho e Boquinha jogando fica boquiaberto com a facilidade, habilidade, visão e tudo mais. Também pelas areias, aqueles que acompanham Pedro Melito e Chico, não conseguem colocar na cabeça que esses dois talentos não foram aproveitados, e hoje brilham decisivamente vestindo a camisa do Bairro Peixoto. Aqueles que puder atuar com Tuca e Leon defendendo suas traves sabem a segurança que os goleiros passavam, além de responder a altura a todas as espectativas. Posso citar muitos outros como Batata, Berriel, Allan entre outros, que pelo menos até agora não vestem, mesmo que tendo qualidade de sobra, uma camisa de grande clube.
Um abraço a todos e parabens a equipe do Bairro Peixoto, campeã no ultimo sabado com show de Pedro Melito, com um golaço e outro de cabeça, decretando a vitória por 2 a 1.
Nenhum comentário:
Postar um comentário